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	<title>Na rede com Ailton &#187; REPORTAGENS</title>
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		<title>OS 106 ANOS DE “SEU” JUCA</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 00:44:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ailton Salviano &#124; Geólogo - Jornalista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGOS]]></category>
		<category><![CDATA[REPORTAGENS]]></category>

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		<description><![CDATA[Ailton Salviano Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo. Envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem, Na glória de alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem. OLAVO BILAC Nem todo dia se tem o privilégio de anunciar e parabenizar alguém que completou 106 anos. O aniversariante é [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ailton Salviano</strong></p>
<p><em>Não choremos, amigo, a mocidade!<br />
Envelheçamos rindo. Envelheçamos<br />
Como as árvores fortes envelhecem, </p>
<p>Na glória de alegria e da bondade,<br />
Agasalhando os pássaros nos ramos,<br />
Dando sombra e consolo aos que padecem.</em><br />
<strong><em>OLAVO BILAC</em></strong></p>
<p>Nem todo dia se tem o privilégio de anunciar e parabenizar alguém que completou <strong>106 anos.</strong> O aniversariante é o senhor João Paulo de Souza, mais conhecido como “seu” Juca, que em plena lucidez, no dia 16 de junho passado, celebrou o que raríssimos natalenses ou nenhum conseguiu. Nascido em Muriú (RN) no distante ano de 1902, “seu” Juca preserva ainda o hábito de todas as tardes estar presente no Armazém Pará, da Avenida Antônio Basílio, em Natal, estabelecimento comercial que criou e agora mantido por seus descendentes.</p>
<p><strong>FATORES DA LONGEVIDADE</strong></p>
<p>Os geriatras associam a longevidade humana a alguns fatores como estilo de vida, ambiente e herança genética. Filho de pais longevos, “seu” Juca nasceu, viveu a infância e juventude na roça, com muito tempo dedicado ao trabalho. Sem vícios, sempre cultivou uma atividade física, além de uma saudável alimentação, importante influenciador para uma longa vida.<br />
Hoje, com uma salutar aparência, seu Juca mantém todas as taxas nos padrões da sua idade. Sem diabetes ou hipertensão ou problemas cardiovasculares, principais enfermidades da velhice, reclama apenas da deficiência auditiva que o obriga a usar aparelho auricular. Não obstante, responde a todas as perguntas, inclusive à saudação de parabéns. Sentado à mesa do gerente do seu estabelecimento comercial, deixou-se fotografar simulando atender um dos seus mais antigos clientes, Jales de 72 anos.</p>
<p>[photopress:JUCA106.JPG,full,centralizado]<br />
<strong>Seu Juca no Armazém da família atende Jales, um dos mais antigos clientes</strong></p>
<p><strong>O SÉCULO DAS TRANSFORMAÇÕES</strong></p>
<p>É muito provável que “seu” Juca, seja a pessoa mais idosa de Natal. Praticamente, viveu todo o século XX, considerado o período de maiores transformações na história da humanidade. Vivenciou duas guerras mundiais, a invenção da TV, a criação dos antibióticos, a viagem do homem à Lua, a criação e o fim dos discos de vinil, as invenções do CD, computador e finalmente, da Internet. Viu passar 39 Presidentes da República: de Rodrigues Alves empossado em 15.11.1902 a Luís Inácio Lula da Silva em 01.01.2003.</p>
<p>O longínquo ano de 1902 quando “seu” Juca veio ao mundo, registra também o nascimento de três notáveis brasileiros: o historiador Sérgio Buarque de Holanda (11.07), o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (12.09) e o poeta Carlos Drummond de Andrade (01.12). Naquele ano, três acontecimentos marcaram a vida na Província do Rio Grande do Norte: as irmãs Dorotéias iniciam aqui a sua missão (22.02), a fundação do Instituto Histórico e Geográfico (12.05) e a morte em Paris, do aviador, natural de Macaíba, Augusto Severo de Albuquerque Maranhão (12.05). Nas letras, quando o país parecia esquecer Canudos, Euclides da Cunha lança o livro “Os Sertões” no dia 01 de dezembro de 1902.</p>
<p><strong>EXPECATIVA DE VIDA</strong></p>
<p>Há uma forte tendência mundial de um progressivo aumento da expectativa de vida. Fato episódico como o aniversário de seu Juca, raro nos dias atuais, poderá tornar-se lugar-comum em um futuro próximo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a expectativa de vida aumentou 30 anos durante o século XX. Dados do IBGE (2006) confirmam a existência de mais de 20 mil brasileiros com mais de 100 anos.</p>
<p>Portanto, chegar aos 100 anos deixou de ser um sonho alimentado por muitas culturas. Graças à eficácia com que a Medicina combate algumas enfermidades típicas da idade, às campanhas de vacina e a alguns parâmetros demográficos, a população idosa aumenta gradativamente e deixou de ser um fardo inativo com acúmulo de problemas de saúde, para inserir-se e integrar-se à comunidade.</p>
<p>Ao contrário do que se pensava, o envelhecimento deve ser encarado. Muitas vezes, o idoso assume atitudes mais construtivas e positivas que pessimistas e prejudiciais. “Seu” Juca, por motivos óbvios, tem a assistência de dois enfermeiros que se revezam. Outro dia, sentindo-se ocioso, ironizou: <strong>“Meus filhos, acham pouco um malandro, agora arranjaram mais dois para me fazer companhia!”</strong></p>
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		<title>O COMPRIMIDO QUE DEFORMOU CRIANÇAS</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jan 2008 10:51:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ailton Salviano &#124; Geólogo - Jornalista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGOS]]></category>
		<category><![CDATA[REPORTAGENS]]></category>

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		<description><![CDATA[Ailton Salviano Reportagem publicada em O POTI de 13.01.2008 Em agosto de 1960, dona Margarida da Silva Lima residia em São José de Mipibu (RN) e estava grávida de dois meses. Seu esposo, que trabalhava na antiga Sucam (Superintendência de Campanhas de Saúde Pública do Ministério da Saúde), em conversa com o médico do órgão [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ailton Salviano<br />
Reportagem publicada em O POTI de 13.01.2008</p>
<p>Em agosto de 1960, dona Margarida da Silva Lima residia em São José de Mipibu (RN) e estava grávida de dois meses. Seu esposo, que trabalhava na antiga Sucam (Superintendência de Campanhas de Saúde Pública do Ministério da Saúde), em conversa com o médico do órgão disse que a esposa grávida estava com problemas de insônia e sentia fortes enjôos. O médico lhe deu uma caixa (amostra grátis) de <strong>‘‘SLIP’’,</strong> comprimidos indicados exatamente para aqueles males.</p>
<p>Dona Margarida tomou um comprimido por dia de um total de oito e teve uma sensível melhora. Em 8 de março de 1961, após um parto complicado, feito por uma parteira, nasceu a garota Vanilza com deformações nos membros superiores. A parturiente com problemas de placenta colada foi transportada para a Maternidade Januário Cicco em Natal.</p>
<p>Como aconteceu com milhares de famílias daquela época em dezenas de países, os Lima não associaram, de imediato, o problema da bebê Vanilza aos comprimidos receitados pelo médico e ingeridos durante a gravidez de dona Margarida. Em novembro de 1961, a família leu uma reportagem na revista semanal <strong>‘‘O Cruzeiro’’</strong> sobre crianças deformadas nascidas na Alemanha. Na reportagem, dona Margarida viu as fotos de várias caixas de comprimidos que causaram as deformações e de imediato identificou o <strong>‘‘SLIP’’.</strong> Agora havia uma explicação convincente para o problema da filha.</p>
<p>Vanilza e várias outras crianças recém-nascidas naquela época, em alguns países, foram vítimas de um produto farmacêutico que provocou uma das maiores tragédias mundiais da história dos medicamentos. Em outubro de 2007, fez 50 anos do lançamento no mercado internacional de um comprimido que está no epicentro dessa história, produzido à base da substância talidomida, considerado não tóxico, fabricado na Alemanha. Em 1958, esse medicamento chegou ao Brasil.</p>
<p>Segundo os estudiosos desse fato, o episódio envolveu o descaso dos laboratórios nos testes sobre efeitos colaterais, a ganância industrial e a irresponsabilidade dos órgãos oficiais de controle de medicamentos. A conseqüência foi o nascimento de 10 a 15 mil crianças com deformações congênitas, inicialmente na Alemanha e Inglaterra e, em seguida, em dezenas de países, inclusive no Brasil.</p>
<p>Pela semelhança física dos recém-nascidos, disformes com os membros das focas, as deformações são conhecidas pela Medicina como <strong>focomelia.</strong> As deformidades incluem o encurtamento dos membros superiores e inferiores e a ausência parcial ou total de mãos, pés e dedos. Ocorrem também cardiopatias, alterações nos olhos, nas orelhas e no aparelho digestivo.</p>
<p><strong>Luta</strong></p>
<p>Vanilza de França Lima, a filha de dona Margarida, está hoje com 46 anos. É casada tem um filho normal de 3 anos e, mesmo com muitas dificuldades que enfrenta para locomover-se, trabalha como supervisora de alunos do Colégio Winston Churchill. Não se nega de falar sobre muitos momentos em que foi vítima de discriminação na infância e na juventude por conta da sua deformidade. </p>
<p>[photopress:DSC01404_REDUZIDA_1.jpg,full,centralizado]</p>
<p><strong>Vanilza de França Lima enfrenta dificuldades físicas, mas leva uma vida feliz</strong></p>
<p>Quando tomou conhecimento que tinha direito legal a uma pensão vitalícia foi à luta. Enfrentou muitas barreiras. Submeteu-se a uma junta médica, tirou várias fotos e radiografias. Para conseguir o que lhe era de direito, teve que entrar na Justiça. Após cinco anos, conseguiu comprovar que era vítima da talidomida e por fim, teve direito à pensão, atualmente no valor de R$ 600 mensais. <strong>‘‘Essa pensão é minha vida! Não sei como poderia viver sem ela’’,</strong> diz Vanilda que acredita ter mais alguém no Rio Grande do Norte, vítima da talidomida e que desconhece os seus direitos.</p>
<p><strong>PESQUISADORA DEFENDE CUIDADOS</strong></p>
<p>A farmacêutica potiguar <strong>Nair Ramos de Souza</strong> pesquisa a talidomida há seis anos, quando iniciou a dissertação de mestrado na Faculdade de Medicina de Fortaleza. Atualmente trabalhando no Ministério da Saúde, em Brasília, ela defende uma proposta de divulgação dos cuidados e orientações para o uso correto de medicamentos. Segundo Nair Ramos, com a crescente prática da automedicação no Brasil, urge a necessidade de promover-se campanhas de orientação quanto ao uso racional de medicamentos. Isto tem reflexos na qualidade de vida das pessoas e na diminuição de custos do sistema de saúde. </p>
<p> [photopress:FARMACEUTICA_NAIR.JPG,full,centralizado]<br />
<strong>A farmacêutica Nair Ramos passa orientações para o uso correto de medicamentos</strong></p>
<p><em>‘‘O surgimento de novas indicações da talidomida, justificadas por diversos autores, reforça a sua excelente resposta terapêutica. No entanto, o aparecimento de novos casos de recém-nascidos deformados e as falhas nos mecanismos de controle existentes obrigam-nos a prestar uma atenção rigorosa a esse fármaco. É preocupante a insuficiência de dados recentes sobre os efeitos adversos da talidomida, principalmente quanto ao seu uso prolongado’’,</em> complementa Nair Ramos.</p>
<p>Uma pequena parte da população vai ser beneficiada com a reabilitação da talidomida, haja vista que as enfermidades que o medicamento atende são consideradas raras. É um grande desafio para o monitoramento da segurança do medicamento, atividade que depende da responsabilidade e do comprometimento de vários atores sociais que abrangem consumidores, profissionais da saúde, indústria farmacêutica, mídia e órgãos oficiais reguladores.</p>
<p><strong>Retorno</strong></p>
<p>Em 1964, o dermatologista israelense Jacob Sheskin atendia a um paciente com sérias complicações provenientes da hanseníase (lepra). Ao procurar um medicamento que fizesse o paciente dormir, lembrou-se da talidomida que originalmente fora recomendada contra insônia. Ele deu então dois tabletes ao paciente que, após ingerir a droga, dormiu por longas horas. Quando acordou foi capaz de levantar da cama sem ajuda. Experiências posteriores com a talidomida revolucionaram e tornaram mais efetiva a cura da lepra.</p>
<p>Dessa forma, o medicamento foi reabilitado e voltou ao mercado indicado para o tratamento de graves enfermidades como lúpus eritematoso, afecções associadas à AIDS, enxerto-contra-hospedeiro e outras. O grande desafio para os países é realizar um rigoroso controle na nova utilização da talidomida e evitar outras gerações de crianças deformadas. </p>
<p><strong>REMÉDIO COMEÇOU A SER COMERCIALIZADO EM 1957</strong></p>
<p>Em 1953, os laboratórios da indústria farmacêutica suíça CIBA sintetizaram pela primeira vez a talidomida. A empresa desistiu de comercializar o produto ao notar a aparente ausência de propriedades farmacológicas. No ano seguinte, a empresa alemã Chemie Grünenthal sintetizou a mesma substância e iniciou a sua comercialização em outubro de 1957. O comprimido era considerado um sedativo sem toxicidade e podia ser vendido sem prescrição médica.</p>
<p>Com o nome de <strong>Contergan</strong>, o comprimido foi lançado no mercado alemão com uma ostensiva campanha publicitária e logo se transformou em um dos líderes de venda. Em outros países o mesmo produto teve nomes comerciais diferentes como <strong>Kevadon, Distaval, Talimol e Softbon.</strong> No Brasil, os comprimidos e gotas à base de talidomida chegaram em 1958 e foram comercializados com os nomes de <strong>Ectiluram, Sedalis, Sedim, Slip, Ondosil e Verdil.</strong></p>
<p>Sem a exigência da receita médica, os comprimidos foram considerados na época o melhor soporífero (que provoca sono). O seu uso foi estendido para curar nevralgias, asma, tosse e como antiemético (evitar vômitos) para as grávidas. Era um sedativo de preço baixo que podia ser ingerido em quantidade sem oferecer nenhum perigo de intoxicação ou efeito colateral. Até então, esses efeitos eram desconhecidos.</p>
<p>Na Alemanha em 1959, começaram os relatos médicos sobre o aumento de nascimentos de crianças com malformações congênitas caracterizadas por defeitos nos ossos dos braços das pernas e com mãos e pés anormais. <strong>Em 1961, foram registrados 477 casos.</strong> Não foi fácil estabelecer a relação entre os bebês deformados e os comprimidos.</p>
<p>Em novembro daquele ano, durante um encontro de pediatras na cidade alemã de Dusseldorf, o médico <strong>Widukind Lenz</strong> levantou, pela primeira vez, a possibilidade das deformações dos recém-nascidos estarem associadas à talidomida. As suspeitas de Lenz foram comprovadas por outros estudos. A tragédia havia se concretizado em vários países. No final de 1961, o medicamento foi retirado do mercado na Alemanha e Inglaterra.</p>
<p>No Brasil, após a comprovação dos efeitos maléficos do comprimido, o governo federal por meio de ato administrativo do Serviço Nacional da Fiscalização da Medicina e Farmácia (SNFMF) cancelou o registro da comercialização da talidomida no Brasil. Porém, segundo os estudiosos do tema, provavelmente por falta de comunicação ou fiscalização, os comprimidos permaneceram disponíveis no mercado até 1964. <strong>Os casos de deformação ocasionados por ingestão do comprimido no período de 1961-1964 poderiam ter sido evitados.</strong> </p>
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		<title>CÂNCER DE MAMA – A CURA DEPENDE DE VOCÊ</title>
		<link>http://www.ailton.com.br/cancer-de-mama-%e2%80%93-a-cura-depende-de-voce/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Nov 2007 20:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ailton Salviano &#124; Geólogo - Jornalista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[REPORTAGENS]]></category>

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		<description><![CDATA[Reportagem elaborada pelos alunos do Curso de Jornalismo (UFRN): Ailton Salviano Arthur Tavares Ilo José Aranha Júlio César Lima Pedro Miguel Thiago Marinho A cada 36 minutos, uma mulher morre no Brasil, vítima de câncer de mama. Essa informação de 2006 é da Sociedade Brasileira de Mastologia que estimou para aquele ano, 50 mil novos [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Reportagem elaborada pelos alunos do Curso de Jornalismo (UFRN):<br />
Ailton Salviano<br />
Arthur Tavares<br />
Ilo José Aranha<br />
Júlio César Lima<br />
Pedro Miguel<br />
Thiago Marinho</strong></p>
<p>A cada 36 minutos, uma mulher morre no Brasil, vítima de câncer de mama. Essa informação de 2006 é da <strong>Sociedade Brasileira de Mastologia</strong> que estimou para aquele ano, 50 mil novos casos da doença no país. A neoplasia maligna da mama feminina, termo médico para essa enfermidade, é o tumor com a segunda incidência no Brasil.</p>
<p>Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Rio Grande do Norte apresenta um índice de 31,88 casos para cada 100.000 mulheres – é o terceiro maior do nordeste (dados do ano 2006). Embora parte da população feminina brasileira, após as campanhas informativas sobre a doença, tenha mudado de hábito – pratica o auto-exame das mamas e procura com maior freqüência os exames periódicos – a classe médica considera os números preocupantes.</p>
<p>Para a mastologista, coordenadora da residência médica em Mastologia da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer, Teresa Cristina Andrade de Oliveira, é mais que urgente, a necessidade dos órgãos públicos de saúde implantarem uma campanha voltada exclusivamente para o câncer de mama, semelhante a que existe para o câncer do colo do útero.</p>
<p>Teresa Cristina enfatiza ser importantíssimo o diagnóstico precoce dessa enfermidade. Em outras palavras, descobrir o tumor no início, além de facilitar o tratamento, aumentam as chances de cura. Conforme a ginecologista Maria da Penha Barbato na apresentação do folheto “Câncer de Mama – Como Prevenir”, a sombra do medo deve ser afastada. Ela insiste na recomendação das consultas ginecológicas anuais e exames complementares como a mamografia e a ultra-sonografia, as grandes armas que a medicina dispõe contra a doença. 40% das mortes poderiam ser evitadas com os exames preventivos.</p>
<p>O câncer de mama foi descrito (não com esse nome) no Egito, 1600 anos antes da Era Cristã. Originalmente, seu tratamento era feito com substâncias cáusticas ou com ferro quente que são técnicas de cauterização. Durante séculos, os médicos descreviam nas suas práticas, a conclusão – não há cura. </p>
<p>No século 17, com a melhor compreensão do sistema circulatório, os médicos puderam estabelecer uma relação entre o câncer de mama e os nódulos das axilas. No século seguinte, médicos franceses e escoceses iniciaram a remoção desses nódulos. A mastectomia ou a retirada (ablação) parcial ou total da mama começou em 1882 e tornou-se um procedimento cirúrgico até a década de 70 do século 20. Atualmente, existem técnicas eficazes de diagnóstico e cura, inclusive na medicina brasileira.</p>
<p>[photopress:DSC02352_2.jpg,full,centralizado]<br />
<strong>Médica Teresa Cristina: &#8220;é importantíssimo o diagnóstico precoce&#8221;</strong></p>
<p><strong>COMO PREVENIR</strong></p>
<p>Mesmo com o avanço da medicina, não são conhecidos todos os fatores que levam ao câncer de mama. Para explicar os altos índices da doença em áreas metropolitanas, os oncologistas associam a fatores como alimentação, modo de vida, envelhecimento da população e outros<br />
Para a médica Teresa Cristina, o auto-exame das mamas de modo freqüente é a forma mais simples e importante de prevenção. A recomendação médica é que esse exame seja feito pela própria mulher, de preferência uma semana após a menstruação.</p>
<p><strong>A recomendação médica é que se for encontrado um nódulo na mama, não se impressionar, pois a maioria deles não é de origem cancerosa.</strong> O tecido mamário é irregular, a às vezes surge uma formulação nodular; mas, se apalpar um carocinho, procure o médico imediatamente. A medicina preventiva ainda é um dos principais remédios na cura de todo tipo de doença.</p>
<p>A maioria dos nódulos é benigna – não cresce tão rápido nem invade outras partes do corpo. Os benignos mais freqüentes são nódulos – como o fibroadenomas (sólidos) – e cistos. Os fibroadenomas costumam ser mais comuns em jovens na faixa dos 20 anos; geralmente, o médico encaminha a paciente para o exame de ultra-som, a fim de confirmar o diagnóstico. Não precisam necessariamente ser retirados; se o médico optar pela retirada do tumor, será feita uma pequena cirurgia, com anestesia local.</p>
<p>Os cistos são as alterações mais comuns nas mamas, em geral são dolorosos e aumentam de tamanho antes da menstruação, mas não se tornam malignos. Costumam afetar as mulheres de 30 a 50 anos de idade e tendem a desaparecer na menopausa. Os cistos são identificáveis pela ultra-sonografia, eles são drenados através de uma agulha fina para a retirada do liquido, que será examinado a fim de se determinar o tipo de célula.</p>
<p>As secreções da mama tem também o seu valor para diagnóstico, principalmente se são espontâneas e sanguinolentas. Mas nem toda secreção significa câncer. Só o médico poderá fazer essa avaliação.</p>
<p><strong>Mamografia</strong> – Os médicos recomendam que esse método de prevenção seja realizado a cada dois anos por mulheres a partir dos 40 anos. Após os 60 anos, o intervalo deve ser anual. Isto não pode ser uma norma rígida; dependendo do caso, o médico orienta em quanto tempo a paciente deve fazer esse exame. Há ocasiões excepcionais que o médico pode recomendar a mamografia para jovens de 20 anos.</p>
<p><strong>O DESCONHECIMENTO CAUSA O MEDO</strong></p>
<p>O auto-exame, segundo o mastologista Eliel de Souza, foi erroneamente difundido na população. Na verdade, afirma Eliel: <strong>“esse exame deveria ter sido divulgado para o autoconhecimento do corpo e não com a única finalidade de procurar um câncer. Isto do ponto de vista psicológico é preocupante”.</strong>  E complementa: <strong>“hoje, apenas 23% das mulheres fazem o auto-exame e às vezes não fazem bem feito. A maioria delas alega ter medo de encontrar a doença, outras dizem que não sabem fazer e as demais não se interessam ou preferem ser examinadas pelo médico. Mas na essência, tudo envolve o medo”.</strong></p>
<p>[photopress:DSC02264_2_1.jpg,full,centralizado]<br />
Mastologista Eliel de Souza: <strong>&#8220;O erro foi divulgar o auto-exame como meio para procurar câncer&#8221;</strong></p>
<p>Para esse mastologista, o recomendável seria iniciar o auto-exame na puberdade – não para encontrar a doença, mas para habituar a jovem a conhecer as características de uma mama normal. No caso da mulher adulta, continua esse autoconhecimento. Recomenda o dia para o auto-exame, uma semana após a menstruação. Para as que não menstruam, pode ser qualquer dia, de preferência aquele em que a mama está mais sensível. As que não menstruam, mas ainda possuem ovários, sentem, em alguns períodos do mês, dor na mama. Devem escolher uma época do mês sem dor ou desconforto para fazer o auto-exame.</p>
<p>Os psicólogos confirmam que o primeiro medo da mulher ao consultar o médico é ter o câncer. Quando ela sabe que tem a doença, aí o medo é de perder a mama. <strong>“Hoje a gente tem tentado preservar a mama, dentro do possível, de acordo com os princípios da ética e com o proceder médico”</strong> afirma Eliel de Souza, autor de um dispositivo de pesquisa denominado “Procedimento Referencial do Espírito da Lesão Mamária” (PRESLEM). <strong>“Antes da cirurgia de um tumor de 3 a 4 cm, fazemos um tratamento quimioterápico. Com essa quimioterapia, o tumor pode ter uma resposta muito boa e desaparecer completamente. Após isso, a mamografia e a ultra-sonografia nada detectam, então, dependendo do paciente, nós tiramos apenas aquela área do tumor e a mama é preservada”,</strong> cita. Para não correr riscos de deixar algo microscópico, complementa o médico, colocamos previamente um corpúsculo de material rádio-opaco dentro do tumor que os raios-X podem detectar.</p>
<p>Há vinte anos, independente do tamanho do tumor e por falta de opções de tratamento, a mulher perdia a mama. Pela inexistência dos quimioterápicos de hoje, o cirurgião, por questão de segurança, assim procedia. Além da mama, retirava até os músculos do tórax, por exemplo. Hoje, mesmo nos casos extremos da retirada da mama, é possível sua reconstrução com a cirurgia plástica usando partes da gordura do abdome ou músculo da parte posterior da omoplata ou com o complemento de silicone.</p>
<p><strong>HOMENS TAMBÉM TÊM CÂNCER DE MAMA</strong></p>
<p>As estatísticas têm demonstrado que para 100 casos de câncer de mama, um afeta o homem. Segundo o médico Eliel de Souza, o homem não está livre dessa mal, principalmente aqueles que usam hormônios para crescer as mamas. Alguns podem ter a Síndrome de Klinefelter – uma doença genética que altera a mama e provoca uma produção excessiva de hormônio.</p>
<p>O câncer de mama nos homens geralmente é mais grave. O homem não dispõe, semelhante à mulher, de tecido mamário abundante e quando a doença aparece, normalmente está infiltrada no músculo e aí se expande com maior rapidez.</p>
<p><strong>COMO TRATAR E AS CHANCES DE CURA</strong></p>
<p>A cirurgia é o procedimento padrão. Ela é específica para cada paciente. Tem a complementação da radioterapia e da quimioterapia que pode ser feita antes ou após a cirurgia. Existe também o tratamento chamado de anti-hormonioterapia. Trata-se de um medicamento capaz de inibir a ação dos hormônios em alguma célula tumoral. Semelhante a essa variedade de tratamento, há um envolvimento multidisciplinar em que se unem o cirurgião mastologista, o radioterapeuta, o oncologista clínico, o fisioterapeuta, o enfermeiro, o psicólogo e o assistente social.</p>
<p>Para os médicos, as chances de cura do câncer de mama estão diretamente relacionadas com o estágio da descoberta da doença. Segundo a médica mastologista Teresa Cristina, <strong>“quanto mais cedo a paciente descobre o nódulo na mama, mais chance de cura terá”.</strong> Daí a importância do auto-exame e dos exames preventivos regulares. A descoberta tardia contribui para aumentar os índices de óbitos. Na Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer, 80% dos casos que chegam à clínica, estão em estágios avançados. A médica alerta: <strong>“aqui tem chegado paciente com 17 anos, o que reforça a recomendação do auto-exame a partir da puberdade”. </strong></p>
<p>No caso dos homens, segundo a médica, o quadro é mais agressivo por conta da rapidez com que a doença se expande. Há também o preconceito. Como esse mal está muito ligado à mulher, o indivíduo que tem câncer de mama não procura ajuda com vergonha e deste modo, dificulta o tratamento. Muitas vezes, quando procura, está muito avançado e a doença tem migrado para outros órgãos.</p>
<p>A médica Teresa Cristina lamenta não haver uma campanha conjunta dos órgãos de saúde nos âmbitos federal, estadual e municipal, com a finalidade específica de  conscientização sobre o câncer de mama. A população continua desinformada a respeito da doença.</p>
<p>Para efeito de tratamento, a referência é a Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer &#8211; LNRCC. Trata-se de uma instituição pioneira na realização de procedimentos de última geração. A liga é uma entidade filantrópica, recebe pacientes de todo o estado. A demanda é muito alta para um número limitado de leitos. A lista de espera é grande e muitas vezes o atendimento de urgência é prejudicado quando todas as dependências estão ocupadas, completou a médica.</p>
<p><strong>O APOIO FAMILIAR SUPERA O IMPACTO EMOCIONAL</strong></p>
<p>Para a psicóloga da Liga, Flávia Roberta Alves, <strong>“a doença assusta e pode afastar as pessoas do tratamento e, assim, da recuperação. O diagnóstico causa mudanças subjetivas, pois envolve o medo de perder a vida, parte do corpo, a família, o marido. Medo de deixar de existir a partir de um seio ou de sua própria concretude”.</strong></p>
<p>No caso da mulher que foi submetida à mastectomia radical – retirada total das mamas – o abalo psicológico é maior. Os seios são símbolos da feminilidade e perdê-los é traumatizante. Para Flávia Roberta, o câncer tem cura e para a sua recuperação, tanto física quanto emocional, é importante o apoio da família. Segundo a psicóloga, <strong>“uma paciente que recebe o apoio familiar apresenta maior adesão e resposta ao tratamento, pois se sente segura e motivada para continuar a luta pela vida”.</strong></p>
<p>As mulheres que fizeram tratamento na Liga formaram, há 14 anos, o Grupo Despertar, para relatar experiências de cada uma sobre a luta contra o câncer de mama. A enfermeira aposentada, Gilvanete Guedes de Carvalho, 53, disse que <strong>“no início contavam com apenas 20 mulheres; hoje têm mais de 100 cadastradas e as reuniões têm em média, a presença de 60 mulheres”.</strong></p>
<p>A aposentada Francisca das Chagas Medeiros, 67, faz parte do grupo desde o ano 2000, após vencer um câncer de mama, diagnosticado precocemente. <strong>“Eu me sinto gratificada pelo que estou fazendo, Eu estava aposentada sem fazer nada, aí, graças a Deus, tive esse câncer. Hoje digo isso porque arranjei um trabalho voluntário que tanto a gente dá como recebe experiência”,</strong> completou.</p>
<p>A mais recente participante do Grupo Despertar é a cabeleireira Maria Rosa dos Santos, 42 anos. Submetida a uma mastectomia total, fez 28 sessões de radioterapia e 8 de quimioterapia o que provocou a perda dos cabelos. Rosa se pergunta: <strong>“como uma pessoa que trabalha com cabelo pode ficar sem nenhum cabelo?”.</strong> Aconselha as mulheres que passaram ou têm medo de passar por essa situação: <strong>“ter muita fé, levantar a cabeça e viver cada dia de forma otimista, hora nenhuma se considerar doente, não se achar coitada ou que os outros devam ter pena”.</strong> Rosa está preparada para enfrentar mais uma cirurgia – a reconstituição plástica das mamas</p>
<p><strong>PROJETO MULHERES PELA VIDA</strong></p>
<p>A psicóloga do setor de mastologia da Liga Norte-riograndense Contra o Câncer de Mama, Rossana Curioso é responsável por um projeto desenvolvido em parceria com o Instituto Avon, chamado <strong>“Mulheres pela Vida”.</strong></p>
<p>O projeto — cuja parte prática se estendeu por oito meses no distrito sanitário oeste abrangendo os bairros de <strong>Felipe Camarão, Guarapes, Cidade Nova, Nova Cidade, Bairro Nordeste, Monte Líbano, Bom Pastor, Nazaré, Novo Horizonte, Quintas e Cidade da Esperança</strong> — teve como objetivo principal o aumento da detecção precoce do câncer de mama na capital. Durante esse período, foram atendidas mulheres de 50 a 69 anos – faixa etária considerada de alto risco – que se cadastravam nas unidades de saúde locais e tiveram a oportunidade de fazer a mamografia e, caso detectada alguma anomalia, encaminhadas ao tratamento na Liga.</p>
<p>Embora o projeto tenha o final programado para meados de novembro, a atividade educativa permanece e, principalmente, a propagação da idéia de que o câncer de mama tem cura e da importância do auto-exame. Segundo Curioso, ainda mais importante do que o projeto em si, é a mensagem propagada e a intenção de fazer com que as unidades de saúde comecem a atender casos de mama além de aumentar o número de mamografias por parte do governo.[photopress:DSC02328_2_1.jpg,full,centralizado]<br />
Rosa: <strong>“ter muita fé, levantar a cabeça e viver cada dia de forma otimista&#8221;</strong></p>
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		<title>POPULAÇÃO DE IDOSOS NO RN É QUASE 10%</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Oct 2007 15:28:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ailton Salviano &#124; Geólogo - Jornalista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGOS]]></category>
		<category><![CDATA[REPORTAGENS]]></category>

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		<description><![CDATA[O processo de envelhecimento progressivo a que está submetida a população mundial atinge também o Rio Grande do Norte. Os números dos últimos censos demográficos comprovam esse fato. No censo de 1991, o Estado possuía 200 mil habitantes com idade superior a 60 anos. Esse valor correspondia a 8,2% da população total de 2.415.567. No [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O processo de envelhecimento progressivo a que está submetida a população mundial atinge também o Rio Grande do Norte. Os números dos últimos censos demográficos comprovam esse fato. No censo de 1991, o Estado possuía 200 mil habitantes com idade superior a 60 anos. Esse valor correspondia a 8,2% da população total de 2.415.567. </p>
<p>No ano 2000 a população potiguar passou para 2.776.782 e o universo de idosos com mais de 60 anos saltou para 250 mil ou 9,0% do total. Segundo o IBGE, com base em estimativas realizadas no período, a tendência é que o censo em execução apresente uma população idosa maior. </p>
<p>No início do século 20, quando a expectativa de vida do brasileiro não chegava aos 40 anos, atingir a idade sexagenária era raro. As pessoas que alcançavam essa idade, até os últimos anos do século passado, enfrentavam uma velhice inativa, com acúmulo de problemas de saúde. Esse quadro começou a mudar nos últimos anos do século 20 quando o fenômeno do envelhecimento da população tornou-se realidade.</p>
<p><strong>FECUNDIDADE</strong></p>
<p>A eficácia com que se combatem as doenças da idade associada a alguns parâmetros demográficos foram fatores responsáveis pelo crescimento da população idosa. A taxa de fecundidade ou o número de filhos que uma mulher teria no final da sua idade reprodutiva era 6,2 em 1940, caiu para 2,3 no ano 2000. A mortalidade total ou o número de pessoas que morrem por 1000 habitantes em cada ano apresentou um declínio na última metade do século 20. Esse índice era de 21 pessoas em 1950 e chegou a 6,9 no final do século.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que a esperança de vida é considerada pela sociedade uma conquista, apresenta-se também como um grande desafio quando são analisadas suas implicações socioeconômicas. A repercussão dessa revolução demográfica vai desde a integração do idoso à comunidade, passa pela sua saúde e chega à organização e manutenção da família. </p>
<p>Em janeiro de 1994, o então presidente da República, Itamar Franco, ao sancionar a Lei Nº 8842, criou o Conselho Nacional do Idoso. Consolidava-se uma reivindicação que envolveu vários segmentos da sociedade representada por aposentados, profissionais da geriatria, docentes universitários e entidades de classe. O documento criou e estabeleceu normas para os direitos sociais dos idosos ao gerar condições capazes de promover as suas autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.</p>
<p>Em 1999, pela portaria do Ministério da Saúde (MS-1395/99) foi editada a Política Nacional da Saúde do Idoso. Esses direitos tornaram-se assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos com o advento do Estatuto do Idoso, instituído pela Lei Nº 10.741 sancionada em 01/10/2003.</p>
<p><strong>BRASIL ENVELHECE SEM ENRIQUECER, SEGUNDO A OMS</strong></p>
<p>Em 2000, o mundo tinha uma população em torno dos seis bilhões de habitantes. As projeções realizadas pela ONU indicam uma população de nove bilhões em 2050. Nesse meio século, a população de idosos no mundo passará de 600 milhões para dois bilhões. Apenas nos países em desenvolvimento o contingente de idosos será de 1,7 bilhão. Essa realidade levou os governantes de muitos países repensarem suas políticas sociais. As ações visam o aumento da população economicamente ativa, reformas previdenciárias e a participação dos idosos na sociedade e no mercado de trabalho. </p>
<p>Segundo o chefe do Programa de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS), Alexandre Kalache, <em>&#8220;o desafio brasileiro torna-se maior porque enquanto os países do Primeiro Mundo enriqueceram para depois envelhecer; nós brasileiros enfrentamos um franco e rápido processo de envelhecimento sem ainda sermos ricos&#8221;.</em></p>
<p>Kalache, em entrevista recente a uma revista semanal brasileira, prevê que em 40 anos o Brasil terá os mesmos problemas demográficos encarados hoje por países como a Itália e o Japão. A Organização Mundial de Saúde orienta os países na implementação de políticas capazes de assegurar um envelhecimento participativo e saudável. Entre essas sugestões destacam-se o acesso a serviços básicos de saúde e a garantia de uma renda mínima. No Brasil foi implantada uma rede de centros de saúde e uma aposentadoria não contributiva. O próximo passo seria adequar esse atendimento básico de saúde à população idosa.</p>
<p><strong>JUVINO E ARPI: ASSISTÊNCIA</strong></p>
<p>O Instituto Juvino Barreto (IJB) é o pioneiro na assistência ao idoso em Natal. Foi criado em 1942 quando a cidade recebeu grande corrente migratória do interior. Segundo a assistente social Maria do Carmo Fernandes Araújo que trabalha no IJB, <em>&#8220;os primeiros abrigados eram pessoas humildes que fugiram da seca e vieram tentar a vida na capital. Aqui muitos se dedicavam à mendicância&#8221;, </em>ressalta. </p>
<p><em>&#8220;Esse pessoal que dormia nas ruas de Natal durante a Segunda Grande Guerra tocou a sensibilidade de duas irmãs que recolhiam esses mendigos e os abrigavam em uma pequena casa na antiga Avenida 2 (atual Presidente Bandeira) com a Avenida 9 (atual Coronel Estevam), daí o primeiro nome: abrigo. Graças à doação de um terreno, houve a mudança para a Avenida Alexandrino Alencar onde funciona até hoje&#8221;.</em></p>
<p>O IJB possui 100 funcionários e participações voluntárias para atender como meta, 100 idosos em caráter permanente e que têm alimentação, vestimenta, remédios, fisioterapia e assistência médica. Não é um órgão público. Trata-se de uma instituição filantrópica de caráter assistencial, sem fins lucrativos e mantido por doações federal, estadual e municipal. Pertence à Congregação São Vicente de Paulo. Maria do Carmo diz que um importante complemento da fonte de rendas para manutenção do instituto vem das penas alternativas impostas pela Justiça, como cestas básicas, dias de trabalho e dinheiro.</p>
<p>A Associação Riograndense Pró-idosos (ARPI), localizada na Avenida Presidente José Bento (antiga Avenida 3), é uma Organização Não Governamental que congrega mais de mil idosos. Foi fundada em agosto de 1988. É reconhecida de utilidade pública por leis municipal (Nº 3962) e estadual (Nº 7235). Mantém-se com um Fundo Federal, além de contribuições estadual e municipal, e uma irrisória mensalidade dos sócios recreativos. Tem um vasto elenco de atividades como hidroginástica, cursos, coral, passeios e recreações. </p>
<p>A entidade, segundo a coordenadora Nazilda Maria Dutra Bezerra, tem sido um baluarte na luta por alguns pleitos como o passe-livre do idoso conseguido no III Fórum Nacional da Assistência Social realizado em Belém (PA) em 1990. <em>“Por conta do seu grande quadro social, a associação é alvo de visitas de muitos políticos na véspera de eleições”.</em> A diretoria da ARPI, segundo Nazilda Bezerra, aceita discutir programas pró-idosos, mas não permite a distribuição de santinhos e presentes com fins eleitoreiros.</p>
<p><strong>SEU JUCA, 105 ANOS, AINDA VAI AO TRABALHO</strong></p>
<p>[photopress:SR_JUCA_2_1.jpg,full,centralizado]<br />
<strong>João Paulo de Souza, seu &#8220;Juca&#8221;, mesmo aos 105 anos faz questão de ir diariamente à empresa da família, onde conversa com clientes e funcionários</strong></p>
<p><strong>“Saúde é bem estar físico, social e mental” </strong></p>
<p>Um fator comum encontrado em todas as explicações para o segredo da longevidade é o aspecto social. Os geriatras afirmam que o estilo de vida com intensa participação social influi na longevidade das pessoas. O especialista em Geriatria e Gerontologia, Francisco Arnaud de Oliveira Melo, diz que <em>&#8220;a saúde, independente da idade, é o bem-estar físico, social e mental&#8221;.</em> </p>
<p>Segundo Arnaud, esses fatores também são extensivos aos idosos. Evitar o sedentarismo e ser acompanhado preventivamente no caso de doenças como diabetes e hipertensão pode prolongar a vida de forma saudável. As principais enfermidades que afetam os idosos são as cardiovasculares, as depressões, ansiedade e as osteoarticulares. <em>&#8220;O avanço da medicina nos últimos anos tem sido importante para o aumento da longevidade, principalmente as campanhas de vacinação e o tratamento eficaz de doenças infecto contagiosas&#8221;, </em>explica o geriatra.</p>
<p>Para a nutricionista com especialização em Segurança Alimentar do Departamento de Nutrição (UFRN), Célia Márcia Medeiros de Morais, <em>&#8220;a melhoria da qualidade da alimentação é um dos fatores responsáveis pela longevidade&#8221;.</em> Afirma também que <em>&#8220;a qualidade da alimentação contemporânea tem duas faces: por um lado as pessoas passaram a ter mais ofertas de alimentos o que impossibilita a desnutrição; de outro, há produtos de qualidade discutível. Os maus hábitos alimentares &#8211; ingestão de gorduras saturadas, grande quantidade de doces e sal &#8211; associados à falta de atividade física podem não afetar as pessoas precocemente, mas reduz a qualidade de vida a partir dos 40 anos&#8221;.</em></p>
<p>[photopress:FOTO_MEDICO_1.jpg,full,centralizado]<br />
<strong>Geriatra Francisco Arnaud defende maior participação social do idoso</strong></p>
<p><strong>Estatuto nem sempre é respeitado </strong></p>
<p>Os países do oriente como Japão e China valorizam os idosos pelo que contribuíram para o desenvolvimento da nação e pelo conhecimento que adquiriram no decorrer da vida. No ocidente é comum que eles sejam discriminados. A psicóloga Maura Vilar , que trabalhou com idosos durante quinze anos, afirma: <em>&#8220;Ao contrário do que se costuma pensar, os idosos assumem atitudes que quase sempre são mais construtivas e positivas e estão longe de serem pessimistas e prejudiciais&#8221;.</em> </p>
<p>No processo de envelhecimento físico, diversas mudanças psicológicas também ocorrem. Os idosos tendem a perder confiança, se isolam e isto muitas vezes está ligado a casos de humilhação, agressão e discriminação. Segundo Vilar, <em>&#8220;o envelhecimento deve ser encarado com naturalidade. Se o jovem tiver isto em mente e possuir uma boa auto-estima, ele provavelmente será um idoso feliz&#8221;.</em></p>
<p>Uma pesquisa realizada em abril de 2006 pela Fundação Perseu Abramo e o Sesc concluiu que 35% dos idosos do país, ou seja, 3 em cada 10, sofreram algum tipo de agressão. Foram entrevistadas 3.144 pessoas em 204 municípios. Em Natal, casos de desrespeito ao idoso também são comuns. De acordo com aposentada Fátima Tavares, 71, que regularmente utiliza ônibus, alguns motoristas não param quando o idoso dá sinal. <em>&#8220;Eles reduzem a velocidade, mas quando vêem que sou idosa, passam direto. Fico triste por alguns deles não respeitarem esse direito nosso&#8221;,</em> disse.</p>
<p>O Estatuto do Idoso diz em seu artigo 2º que &#8220;o idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana (&#8230;)&#8221;; no artigo 3º, inciso IV da Constituição Federal do Brasil está explícito que o Estado deve promover o bem de todos, sem preconceito ou discriminação devido à idade. <em>&#8220;Eu gosto da minha liberdade. Quero ser respeitada, não que me tratem diferente&#8221;,</em> disse Nazaré Montenegro, que tem 79 anos e espera viver até os 110.</p>
<p>[photopress:FOTO_2.jpg,full,centralizado]<br />
<strong>No lugar do ócio, uma roda de samba toda semana reúne grupo na ARPI</strong></p>
<p>Esta reportagem foi produzida pelos seguintes alunos da disciplina &#8211; REPORTAGEM, PESQUISA E ENTREVISTA &#8211; ministrada pelo Prof. Dr. GÉRSON MARTINS, do Curso de Jornalismo (UFRN):<br />
<strong>AILTON SALVIANO<br />
ARTHUR CORTÊS<br />
ILO ARANHA<br />
PEDRO MIGUEL<br />
JÚLIO CÉSAR LIMA<br />
THIAGO MARINHO</strong></p>
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